Jose Carlos Soares

ortegaPoesía, SO5

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Homem do Saco
por Luís Henriques, Ricardo Castro,
Luís França e Rui Miguel Ribeiro,
com a participação especial de
Miguel Ferreira

josé carlos soares

O poderoso silêncio
aos peixes do rio
coseu a boca.
De pés molhados
na margem do rio
as horas bebiam
e a sua história.
Sentados na margem
segurando salmos
os homens do rio
engoliam peixes.

 

Avanço
pelo minado campo
do sentido. Na mão
seguro a pena
com que escrevo
os passos sucessivos
e os dias
hão-de diminuir
a margem de quem
na luz segura
a própria sombra.

 

Sozinho
com o vento
vou para o nocturno
das lembranças. Pai
que corres atrás do musgo
para o sonho do presépio,
alegrem-se os céus e as terras,
estrelas cheias
de sinos, o mundo
acordando manso. Agora
é o vazio que me fecha
no retrato da parede
tão de si desconhecido.

 

Que nada te perturbe: rumor,
trabalho, a carne
peregrina da terra
imersa na escuridão, o
salto luminoso
do adeus
que o poema pode
desenhar. Ne
te fais pas
de soucis, come
a lanterna dupla
do riso, sobe
os andaimes das equações
e lambe, sobretudo
lambe
as privadas lágrimas
do sofrimento.

 

A tristeza sentou-se
junto ao lago, as mãos
postas nas feridas
da manhã. Nenhuma
literatura sossega
o avanço da noite.