Na Jangada de Pedra – Mariana Lima Marques

ortegaEnsayo, SO5

mariana lina marques

Na Jangada de Pedra

Introdução

A intenção do presente artigo é o estudo do livro de José Saramago, A Jangada de Pedra no sentido de que como em seu discurso podemos analisar tanto a questão das relações Ibéricas assim como a relação da península com a Europa.

O Iberismo como vertente ideológica renasceu no século XIX apoiado nas manifestações do liberalismo e nos exemplos de unificação da Alemanha e da Itália, na segunda metade do século XIX. Muito embora possam ser observados intentos a esse respeito desde a mais tenra história da Península Ibérica (sendo consolidada a união em 1580, depois da morte de D. Sebastião, até a Restauração em 1640), a formalização de um projeto se tornou realidade com este movimento que teve características tanto políticas como intelectuais. A questão do Iberismo ficou, porém, adormecida durante o período ditatorial que assolou a Península, sendo o tema posto em pauta apenas após a queda de Salazar e Franco, na década de 70 do século XX. Dentre os intelectuais que retomaram o Iberismo, está José Saramago.

Porém, quais acontecimentos teriam desencadeado o movimento pela Ibéria unificada? Não é difícil responder a esta questão se analisarmos a condição política da península durante o século XIX. Embora durante um grande período histórico, preocupasse mais aos governos a adesão incondicional dos súditos à monarquia e à religião muito mais que o problema nacional, espanhóis e portugueses sempre entraram em combate para manter seus reinos separados1. Porém, com o retorno da família real a Portugal em 1821 somado à perda da colônia brasileira e à dependência econômica da Inglaterra, houve intentos de se criar uma República ibérica.

Publicado em 1986 e tendo versões adaptadas para o teatro e uma produção holandesa para o cinema (The Stoneraft, 2000), A Jangada de Pedra nos coloca uma questão interessante: e se a Península Ibérica se deslocasse da Europa e passasse e flutuar pelo Oceano Atlântico, sem destino certo? Qual o futuro de suas terras, de suas relações internacionais e de seu povo? A qual continente passaria a pertencer? Qual a reação da Europa em relação a este evento e como os Ibéricos passariam a relacionar-se?

* * *

No âmbito da ficção, a solução apresentada por Saramago em A Jangada de Pedra é ousada e polêmica: aos povos que jamais teriam se integrado plenamente à Europa é imposta a separação sísmica entre as duas porções de terra. Já para os que estudam a história da península, a questão que se coloca se faz ainda mais profunda: seria a alegoria de Saramago uma resposta à verdadeira situação da Ibéria, uma balsa de pedra que, apesar de estar atrelada ao continente europeu tem uma identidade que vai além da nórdica ou da latina e pode ser considerada, nas palavras de Fernando Pessoa, sintética por razões que mais adiante serão discutidas no presente artigo.

A Jangada de Pedra se desenvolve a partir do deslocamento da Península Ibérica do continente europeu e da trajetória comum de seis personagens que teriam influência direta neste cisma: Joana Carda (vinda da região de Coimbra), Joaquim Sassa (de uma praia do norte de Portugal), Pedro Orce (espanhol da região da Andaluzia), José Anaiço (dos campos de Ribaltejo), Maria Guavaira (da Galícia) e o cão Ardent/Constante (da divisa da França com a Espanha). 

Joana risca o chão com uma vara de negrilho, Joaquim arremessa uma grande pedra ao mar. No mesmo instante, mas em terras espanholas, Pedro teria pisado forte no solo e a terra começado a tremer, fazendo da personagem um “sismógrafo ambulante”. Nas palavras de Saramago: “se cada pessoa deixa no mundo ao menos um sinal, este poderia ser o de Pedro Orce, por isso declara, Pus os pés no chão e a terra tremeu”.2

Concomitantemente, em Portugal, João Anaiço era acompanhado por uma revoada de estorninhos. Na Galícia, Maria Guavaira passou a desmanchar um pé de meia velho: o novelo que se forma só tende a crescer e o pé de meia não se desfaz. Tomando permissão interpretativa, as personagens trazem consigo alegorias do papel que a Península outrora representou no cenário geopolítico: o risco divisório de Joana Carda poderia representar a divisão do mundo entre as duas potências marítimas ibéricas, a partir do Tratado de Tordesilhas em 1494, ou até mesmo, a inevitável separação cultural entre a península e o restante da Europa. A pedra que Joaquim deita ao mar seria uma alusão à empresa marítima ibérica? E o pé de meia, que, desfeito, não diminui de tamanho? Nas palavras de Saramago, “ao menos uma vez, o conteúdo pôde ser maior que o continente”3. Poderia isso representar o fato de que, mesmo sendo a península tão pequena, ela abarca um incrível emaranhado cultural e questões bilaterais ainda a serem resolvidas?”

Eduardo Lourenço, em seu livro Europa y Nosotros, propõe que a identidade portuguesa fora forjada em duas vias, em decorrência de sua pequenez e do medo de ser Portugal absorvido pela Espanha. Ao sair para a descoberta de outros mundos e ao ir se configurando como o primeiro Estado Nacional Moderno, Portugal fora a Europa antes desta se configurar como tal, defende o autor. Assim, o pequeno país de “las orillas de la Europa” se torna, em suas palavras, superlativamente4 Europeu, configurando-se para os outros europeus mais como um desafio do que, necessariamente, um problema.

Na obra ficcional de Saramago, os destinos de três portugueses, três espanhóis e um cão serão traçados juntos na jornada de Saramago, representando os “vizinhos que se ignoram”. Sobre isto, versa Miguel de Unamuno em Por tierras de Portugal y España. Portugal e Espanha são países vizinhos, porém, isolados do restante da Europa. Não compreendendo o porquê do distanciamento espiritual entre os dois países, justifica elencando como possíveis motivos o sentimento de soberba espanhola por parte dos portugueses e a perene desconfiança destes de um dia serem invadidos pela Espanha. A obrigação de viver junto provoca rancores. Parece ao autor que a melhor forma de se conhecer é mesmo confrontar-se: “El mejor modo de conocerse es chocar, entraña contra entraña, es decir, roca contra roca, con un semejante”5. O olhar de ódio é melhor que o de indiferença, pois a indiferença simplesmente não considera o próximo como indivíduo: e este seria o olhar da Europa para a Península Ibérica, muito embora as relações entre os países Ibéricos, até certo lugar na História, não possam ser consideradas próximas. Espanha e Portugal são tão próximos geográficamente, mas fazem questão de, históricamente, manterem-se afastados. Aquilo que preenche a lacuna entre os dois países é o desconhecimento do outro, tanto na forma intelectual, quanto na forma popular. A cordialidade que se apercebe acerca da relação governamental, no que tange às relações diplomáticas contemporâneas, assemelha-se mais à indiferença. Em Mi Iberismo, José Saramago demonstra que, para ultrapassar a barreira da indiferença gerada pela ignorância sobre o país vizinho, embrenhou-se numa jornada de conhecimento que sanasse a primitiva impressão incutida na alma portuguesa de ser o espanhol um inimigo natural. Em suas palavras:

Pero, efectivamente, algo vino a modificar mi relación, primero con España, después con la Península Ibérica en su conjunto (lo que equivale a decir que yo empezaba a lanzar sobre mi propio país una mirada diferente): la evidencia de la posibilidad de una nueva relación que sobrepusiera al diálogo entre Estados, formal y estratégicamente condicionado, un encuentro continuo entre todas las nacionalidades de la Península, basado en la búsqueda de la armonización de los intereses, en el fenómeno de los intercambios culturales, en fin, en la intensificación del conocimiento.6

Assim sendo, há de se considerar o contraponto histórico entre as duas nações: mesmo que a Espanha se faça notar diante das fortes relações com diversos países hoje, e que, antes da crise econômica intensificada em 2010, ocupasse proeminente lugar na economia européia, não se pode esquecer a herança marítima de Portugal, um prelúdio da globalização. Na visão de Saramago7, esta aproximação econômica não resolve os problemas de entendimento cultural entre os dois vizinhos. Portugal, por sua vez, vive o inferno de se sentir ameaçado por uma invasão vizinha, evidente pelas fortalezas levantadas ao longo das fronteiras que demarcam o limite com as regiões menos abastadas de ambos países, situação muito em decorrência das guerras de conquista e manutenção de domínios. Saramago propõe em A Jangada de Pedra a aproximação dos países ibéricos por ruptura: o choque sugerido por Unamuno é metaforizado pela separação da Península do resto do continente europeu de forma a rasgar uma fenda entre as duas porções de terra. No discurso de Saramago, o cisma se faz de forma dolorida; a separação é lenta e percorre páginas e mais páginas do romance. Porém, seus habitantes se preocupam apenas com as consequências práticas do evento, enquanto que a melancolia do momento se destina ao cão que, localizado em espaço limítrofe, sofre ao ter que decidir de qual lado ficará. Ao observar a rachadura que já serpenteava pelo solo, o cão teve que optar: ou ao lado da Espanha, ou ao lado da França. Optou pelo primeiro. Logo, entre os dois países, mais que a vontade melancólica do cão, haveria a apreensão de quem ficaria com os recursos naturais limítrofes. E assim versa Saramago sobre a questão do Rio Irati, que, ficando com os franceses, tirava-lhes a tarefa de reformar os mapas após o deslocamento da Península:

Do outro lado já havia um ajuntamento de franceses, fora sublime ingenuidade pensar que os vizinhos, astutos e cartesianos, não dariam pelo fenômeno, mas ao menos mostravam-se tão estupefactos e desorientados como os espanhóis deste lado, e todos irmãos na ignorância. Chegaram as duas partes à fala, mas a conversa não foi extensa nem profícua, pouco mais que as interjeições de um justificado espanto, um hesitante aventar de hipóteses novas pelo lado dos espanhóis, enfim, uma irritação geral que não encontrava contra quem se voltar, os franceses daí a pouco já sorriam, afinal continuavam a ser donos do rio até à fronteira, não precisariam de reformar os mapas.8

Embora pequena em tamanho quando comparada com o restante do continente, seu conteúdo é de inestimável riqueza cultural. A península Ibérica consiste em um minicontinente, repleto de diversidades e características, sendo um ponto de encontro entre a África e a Europa e palco de lutas desde os tempos mais remotos. Sua posição geográfica é de suma importância, uma vez que sinala sua força de expansão e a fácil intrusão estrangeira em momentos de crise. Seja como for, sua posição é deveras preciosa, e, podemos considerar, desde já, que os cinco personagens humanos e o cão da história de Saramago transmitem um microcosmo desta variada gama cultural que é a Ibéria.

A variedade cultural é contemplada em A Jangada de Pedra por Saramago; línguas e nacionalidades se encontram incorporadas na narrativa do autor quando da tentativa da resolução da questão sobre a quem pertenceria a fenda. Fala-se de Navarra, da Galícia e se faz uma alusão à soberba madrileña quando escreve que a capital espanhola afirmava “ser a fenda ab-so-lu-ta-men-te espanhola”9. A opinião do galego é abafada pelos ímpetos gaulês e castelhano, como justifica Saramago: “aos povos pequenos ninguém dá ouvidos, não é mania da perseguição, mas histórica evidência”10. Houve, entretanto, ações para que a fenda fosse preenchida e então, a separação neutralizada. Porém, nenhuma solução foi suficiente para deter o deslocamento da Ibéria:

A fenda não se tinha alargado, e isso só podia significar uma coisa, que a junção das paredes já não se fazia a vinte metros de fundo, como antes, mas a muitos mais, só Deus saberá quantos” —a ruptura era tão grande que nem técnicos ou outros profissionais poderiam mensurar: a península, de fato, tão particular em tantos aspectos, se deslocava da Europa. E daí por diante, então, a fenda se abriu mais e em 48 horas, não se podia mais atravessar a fronteira entre a Península e a Europa a pé ou por veículos terrestres, e, ainda que muitos moradores interioranos não suspeitassem daquilo que estava ocorrendo, “quando todas as luzes da península se apagaram ao mesmo tempo, apagón lhe chamaram depois em Espanha, negrum numa aldeia portuguesa ainda inventadora de palavras, quando quinhentos e oitenta e um mil quilómetros quadrados de terras se tornaram invisíveis na face do mundo, então não houve mais dúvidas, o fim de tudo chegara.11

Logo se começou a questionar o quanto seria problemática a questão da fissura que instaurava a divisão geográfica da península e a Europa: tornando-se grande a ponto de por ali circularem navios, seria um grande golpe econômico aos portos ibéricos. E, embora a diplomacia européia garantisse que não haveria o cancelamento dos acordos, havia um certo desprendimento dos outros países em relação à península: “palavra sobre todas exacta, indo ao ponto de insinuar que se a Península Ibérica se queria ir embora, então que fosse, o erro foi tê-la deixado entrar”.12

Uma vez esquecidos e ignorados pelo resto do continente, por serem os países Ibéricos, uma espécie de “primos pobres” da rica Europa que florescia com os ganhos da pungente Revolução Industrial, Miguel de Unamuno justifica a melancolia portuguesa como sendo um cansaço ou tédio moral daqueles que se cansaram de crer. A lírica de Unamuno justifica a tristeza ibérica, só restando a esse povo a morte libertadora. Daí, segue escrevendo como sendo o português um povo suicida; sua tristeza viria da ausência de um ideal coletivo e seu pessimismo inerente os arranca da apatia, que por vezes provoca ataques de fúria. Citando o autor:

¡Creer!... En Portugal, la única creencia aún digna de respeto es la creencia en la muerte libertadora. Es horrible, pero es así. Europa nos desprecia; la Europa civilizada nos ignora; la Europa mediocre, burguesa, práctica y egoísta nos detesta como se detesta a gente sin vergüenza y sobre todo... sin dinero.13

Contemporaneamente, pode-se dizer que no campo econômico já se tem uma empatia maior entre os países peninsulares, vislumbrando a Federação que no século XIX se objetivou acerca da península. Uma federação não cultural, mas econômica, se verificarmos com atenção a quantidade de empresas espanholas que estão inseridas hoje em Portugal e as trocas comerciais em crescimento. A proposta de um nacionalismo Ibérico, sobretudo nos anos finais do século XIX se diferia do alemão ou do italiano, pois no caso Ibérico há muito mais de uma ou duas línguas nacionais envolvidas, além de dois polos de poder: Castela e Portugal. Para Portugal, a Espanha é o outro sobre o qual afirmar personalidade própria14, uma relação bem diferente que havia entre Piemonte - Império Austro-Húngaro - Prússia em 1871, ou seja à época das Unificações Italiana e Alemã. Na visão de Eduardo Lourenço15, a desaproximação entre a Portugal, Espanha —e consequentemente entre o continente europeu— ficou menos evidente após a queda dos regimes ditatoriais na península ibérica durante a década de 70, num processo que foi sendo engendrado a partir da Segunda Guerra, uma vez que a Europa se secularizou deixando de ser a matriz cultural do mundo. Neste contexto, diz ainda Eduardo Lourenço, que o Ingressar na União Europeia age como um meio de curar a ferida de perda das últimas colônias na África e como forma de redescobrimento da própria identidade sobre como ser europeu e da Europa como vocação; ou seja, trocar a vocação de filhos naturais pelo status de filhos legítimos do continente.16

Eduardo Lourenço17 destaca o fato de os povos peninsulares se referirem à Europa como se não pertencessem a ela, utilizando os Pirineus como método de divisão entre as duas “Europas”. Conta-nos também que os Iluministas fizeram uma separação geográfica entre os espaços do saber: um de luz e outro de trevas, interiorizando (em suas palavras) uma espécie de “guerra civil cultural”, onde a verdade só poderia ser possível na Europa à leste dos Pirineus. Tal abordagem nos faz retomar o clássico discurso de Antero de Quental, Causas da decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos, proferido no ano de 1871, em que se atribui o atraso de Espanha e Portugal à forte herança religiosa e à associação dos monarcas a esta (que, nas palavras de Eduardo Lourenço, se travestiam de reis magos)18, assim como aos acordos com a Inglaterra no caso Português, à Aliança com a França no caso Espanhol e o cerceamento do desenvolvimento fabril, que legou à Península um desenvolvimento econômico aquém do conferido ao restante do continente e a ausência de destaque nos campos cultural e científico. Tal hiato que se fez entre a Ibéria e a “Europa” contribuiria ainda mais para que os dois corpos geográficos separados pelos Pirineus se tornassem cada vez mais estranhos. Sendo assim, o antigo espaço carolíngio é uma Europa mais européia, sendo o que sobra desta Europa, sua parte periférica. Nas palavras do autor:

En realidad, Europa es todo esto a la vez: un reino desgarrado desde hace siglos, parecido en esto a casi todos los espacios históricos no europeos, pero con algo único que es la conciencia de su propia división, vivida a la vez como una debilidad dramática y un incitación, un sueño sin cesar retomado, de llegar a ser lo que jamás ha sido, incluso bajo la forma de Imperio Romano.19

Aprofundando um pouco mais sobre a questão política, a decadência dos países peninsulares se assinalava desde fins do século XVII: uma dinastia estrangeira —a Bourbon— tinha tomado o poder na Espanha e Portugal era uma espécie de colônia inglesa. O centralismo se impôs, a aristocracia se converteu em casta e impediu a aparição de uma burguesia dinâmica. O povo empobreceu. Culturalmente, se imitava o que vinha do estrangeiro (lê-se o que vinha da França e Inglaterra). Logo, os graves problemas internos acabaram por afastar o Iberismo no século XIX.

Historicamente, a morte de João VI entusiasmou os espanhóis. Pedro IV, homem culto, afeito as letras do Iluminismo, era na Europa considerado um liberal, muito embora tenha adotado enquanto imperador brasileiro, medidas bastantes autoritárias e centralizadoras. Em decorrência destes acontecimentos, o jornal The Times chegou vislumbrar a possibilidade de União Ibérica20. Inicialmente, os grupos liberais propuseram uma aliança em termos militares e aduaneiros, além de concessão de direitos civis e políticos recíprocos a ambas nações, assim como unificação de pesos, medidas e moedas mediante um processo transitório. Haveria a construção de uma estrada de ferro que uniria Lisboa a Madrid e a comunicação entre os rios Tejo e Douro seria otimizada.

Com a chamada Revolução Gloriosa de 1868, que fez Isabel II ir ao exílio e que se faria proclamar posteriormente a I Republica da Espanha, a difusão do ideal ibérico aumentou. Esse feito se deve muito graças o aumento da instrução popular nesse período, que permitia a mais pessoas terem um conhecimento direto dos acontecimentos políticos. Levando em conta a ideologia liberal, e que visava a unidade ibérica, ofereceu-se o trono espanhol a Fernando II de Portugal. Houve apoio diplomático para se criar uma união tal qual Austria-Hungria. D. Fernando então negou-se. Os motivos seriam a importância da manutenção da identidade política de Portugal, evitando desta forma a União Ibérica, assim como o receio de que no país lusitano também se instaurasse uma República a exemplo do que havia ocorrido no país vizinho. O golpe de estado de Pavía, que instaurou a Primeira República Espanhola em 1874, deixou os republicanos na oposição e estes então se engajaram na idéia de União Ibérica. Alguns partidários viram na candidatura portuguesa uma via diante da restauração bourbônica. Porém, a restauração foi a negativa para o projeto ibérico, já que se preferiu na Espanha um governo que promovesse a ordem a um outro que promovesse a união. Logo, o Iberismo aparece aqui como derrotado. Citando o próprio Saramago: “¿El iberismo está muerto? Sí. ¿Podremos vivir sin un iberismo? No lo creo.”, de onde podemos concluir que o entender do ser ibérico está intrinsecamente ligado ao aprofundamento da compreensão das questões iberistas.

Saramago propõe ao invés de uma morte libertadora, uma separação física daqueles que já nasceram separados do continente que então os repelira. Em algo que se assemelha à ficção científica, a península se descola do continente e navega à deriva pelo Atlântico que os ibéricos um dia conquistaram. Unamuno se refere ao oceano Atlântico como o vasto cemitério de Portugal, que murmura fados a beijar-lhes as praias deste “jardim da Europa a beira mar”. É no mar que descansa as glórias de Portugal, cuja história é metaforizada por Unamuno como um trágico naufrágio de séculos.21

Em A Jangada de Pedra, enquanto a fenda se abre mais e mais, Pedro Orce, José Anaiço e Joaquim Sassa escutam com interesse o locutor do rádio a falar sobre a questão de Gibraltar: fosse como fosse, a Inglaterra não abriria mão de sua possessão. Diante do deslocamento, os canhões do forte que garantiam a empresa Inglesa não mais tinham porquê. Encontraram-se os três homens por conta dos acontecimentos particulares que, somados, pareciam ser responsáveis pelo deslocamento das terras de Espanha e Portugal. E por mais que os estorninhos de José Anaiço não tenham ligação direta com o cisma terrestre (ora, a metáfora é muito mais forte se pensarmos no efeito de uma pedra lançada ao mar ou em um homem que sente o chão tremer sob seus pés. Agora, qual relação pode ter passarinhos que seguem intermitentemente um homem com o abalo que separou a península da Europa?), eles agem como proteção e prenúncio de momentos importantes para o desenrolar da história: atuam no momento em que os amigos ultrapassam a fronteira entre Portugal e Espanha, distraindo os policiais da aduana (já que um deles, Joaquim, era procurado por ter sido possível causador da rachadura ao atirar a pedra ao mar), e só se vão no determinante momento em que Anaiço encontra Joana Carda.

“Provavelmente, quando chegar lá, já não vê a Europa, Se eu a não vir, é porque ela nunca existiu, afinal tem inteira razão Roque.Lozano, que para que as coisas existam duas condições são necessárias, que homem as veja e homem lhes ponha nome”22. Aqui, faz-se uma reflexão: terá a Europa real sentido para os Ibéricos, de origem e ethos tão diferentes? Não ver a Europa, a partir do momento em que se transforma em uma “jangada de pedra”, propõe aos ibéricos a chance de emancipação e realização cultural plena, uma vez que não mais vêem o antigo continente do qual um dia foram parte integrante? Diz Joaquim Sassa: “Já não somos europeus”23, mas teriam sido os ibéricos um dia europeus? Desde quando viria este sentimento de deslocamento, de ser a Ibéria uma verdadeira balsa a flutuar no mar de cultura europeia? A terra que teria dado ao mundo os navegantes que iriam mudar a história da civilização, agora ela mesma navegava sem rumo pelo oceano Atlântico. Diz G. de Reparaz24, ser o íbero nada mais que “um africano coberto por um falso verniz europeu”. Nas palavras de Saramago, “ser ibérico equivalía, o equivale, a rozar peligrosamente la traición, ser europeo representa el toque final de la perfección y la vía ancha para la felicidad eterna”25. Em A Jangada de Pedra, mais que materializar o gesto simbolicamente infantil de Fernando Pessoa de voltar as costas aos mandarins da Europa e fixar os olhos no mar, em uma explícita teatralização das relações de Portugal com a “Europa”, põe-se a Ibéria em um movimento de encontro com o aquele que um dia teria sido seu futuro —o destino Atlântico. Ao iniciar este movimento durante o século XV, nos diz Eduardo Lourenço que Portugal acabou por dar as costas à Europa, descolando-se metaforicamente do continente para retornar paulatinamente com sua inserção à União Européia, em um exercício que tenta suprir, nos dias de hoje, o desafio da estagnação política, cultural e científica.

Ainda sobre a união peninsular, já se evidenciava a ambição de fazê-la a partir da dominação dos suevos, tentando reunir terras de sul a norte do Douro, separadas pelo então esquema provincial romano. O reino suevo teria sido o primeiro criado na península, sendo possivelmente, o primeiro reino bárbaro objetivado em território romano. Os suevos se concentraram em Portugal continental e na Galícia, enquanto que os visigodos abarcaram toda a Espanha e o Algarve. Os esforços do rei suevo, Requiário, de, a partir da Galícia Atlântica, unificar toda a Península esbarrou no fato do centro pertencer geopoliticamente ao Mediterrâneo visigótico.

A Península consistia no que poderia se chamar de fim do mundo romano, tendo desde sempre uma função estratégica. A derrota dos povos que antecederam os romanos impediu uma consciência unitária na Península, assim o mesmo aconteceu quando da expulsão dos árabes. A ocupação romana arrancou a Espanha da África e a deu de presente para a Europa. A romanização da Espanha, neste sentido, é muito importante na história peninsular: de um povo quase nômade, houve então sua incorporação à “civilização”. Nas palavras de Saramago: “podría arruinarse, pero quedarán de él las tradiciones para impedir que la nación vuelva jamás al interior estado de barbarie primitiva”.

Espanha foi conquistada, mas não germanizada. Portanto, não foi a monarquia visigoda uma mera substituição de autoridades. Com a chegada dos árabes, dois grupos ficaram frente a frente: aquele representado pela trindade cristã e os unitaristas muçulmanos. A dissolução da Hispania ariana se deu em 711, com a Batalha de Chryso, dando lugar, a uma “nueva transfusión de sangre africana a las venas del cuerpo peninsular (…)26”, fundindo-se assim, o elemento fundamental para a caracterização do homem ibérico. Da reconquista, surgiu uma Ibéria em forma de mosaico, uma comunidade de vários povos peninsulares que não encontrou obstáculo em sua variedade linguística, pois “as semelhanças eram mais evidentes que suas próprias particularidades”, nas palavras de Juan-Pablo Fusi Aizpurúa.27

“Essa esquizofrenia é nosso drama histórico”, disse Lopez Suevos, se referindo ao caso da Galícia no contexto peninsular, mas a frase bem pode explicitar bem a condição de toda a Ibéria28. Completando a idéia, podemos ainda citar Carlos Baliñas29: “Vencidos na vida por inadaptados”. Inadaptados à Europa, pois, o ibérico tem um ethos próprio. Fernando Pessoa30 disse que o grupo civilizacional Ibérico é uma síntese de Grécia e Roma, diferenciado pela adição do elemento árabe. Pessoa se opunha à anexação de Portugal pela Espanha ou tentativas de homogeneização linguística por parte do espírito Castelão. Para o autor, seria necessária a separação de costumes, pois apenas separados, os países poderiam ser unidos, uma vez que a união que almejava entre os vizinhos fosse cultural.

O sentimento de rivalidade existe, pois Portugal e Espanha são dois Estados-irmãos e sua independência não é de fato definitiva. A separação é irrefutável, porém, vários pensadores, sobretudo durante a segunda metade do século XIX como já discutido anteriormente, dedicaram seu trabalho em nome de se cultivar a idéia de unidade política e intelectual ibérica. Segundo essas idéias, as pátrias deveriam se fundir em um mesmo destino histórico respeitando as vicissitudes que fazem da península tão rica culturalmente. O próprio José Saramago, em seu artigo “Mi Iberismo”31, versa que, como todo português, aprendeu desde a mais tenra idade a ignorar os eventos históricos da invasão francesa e o imperialismo inglês, e entender como seu inimigo natural, a Espanha. Por sua vez, o vizinho ibérico responde à atitude portuguesa com desprezo ou indiferença.

Dentre os ideólogos da Ibéria, destacamos aqui Henrique Nogueira que, em seu Estudos sobre a Reforma em Portugal (1851), defendia a idéia de Federação: uma vez que muito pequeno, a unificação era muito mais necessária a Portugal, já que este vivia sob o jugo da Inglaterra. A Federação, na visão de Nogueira, poderia arregimentar vantagens de união e independência, conseguindo potência externa e solucionando a crise econômica de Portugal sem sacrificar sua identidade. Se, em fins de 1853, a União Ibérica era tema considerado como proibido na Imprensa, em 1854 a situação era muito mais favorável à União, já que tanto França quanto Inglaterra (possíveis inimigos do projeto) estavam militarmente comprometidas com a Guerra da Criméia. A idéia da constituição de uma Federação é compartilhada por outros pensadores importantes. Dentre eles, podemos destacar Fernando Pessoa, que defendia a idéia de uma união cultural entre os países peninsulares, consolidando o Quinto Império de características culturais, e o próprio José Saramago, considerado o último dos iberistas.

Há, porém entre os intelectuais que vislumbraram a união, uma discrepância no sentido em que deveria tomar a formação da Ibéria. Miguel de Unamuno, por exemplo, se posicionava como contrário à idéia federalista. Para o autor basco, a união cultural deveria criar uma solidariedade ibérica. Para Fernando Pessoa, a alma Ibérica seria sintética, sendo sua civilização um compêndio das anteriores. Resumindo suas idéias, a união se limitaria à nacionalidade, aliança militar, aduaneira e cultural, conservando cada Estado seus devidos aparatos. Para Pessoa, o Iberismo se vinculou à tradição messiânica do sebastianismo e a União Ibérica configuraria, então, o Quinto Império, que seria cultural.

Portugueses e espanhóis, que por anos olharam melancolicamente o mar ao esperar notícias de seus entes queridos que nele tinham embarcado em busca de terras distantes, na história enredada por Saramago, desta vez, mostram um olhar de misto espetáculo e espanto. Em suas palavras, relembrando Unamuno, “Agora ei-los ali, como Unamuno disse que estavam, la cara morena entre ambas palmas, clavas tus ojos donde el sol se acuesta solo en la mar imensa, todos os povos com o mar a poente fazem o mesmo, este é moreno, não há outra diferença, e navegou”.32

O problema que se apresenta na história de Saramago, além do geográfico, é que os turistas dos dois países se evadiram, assim como a parte mais abastada da população, e logo os hotéis foram tomados pelos necessitados, já que estes não mais teriam serventia. Outros, fugiam tentando atravessar a fronteira, outros iam para o interior para se proteger de um possível choque com os Açores, colaborando para um clima de desordem geral na península que agora tinha se tornado uma ilha flutuante. E, quando noticiado o acontecimento em jornais franceses, disse-se: “Que é que se há-de fazer, eles são assim, não se pode fugir à natureza”, como se a natureza da Ibéria fosse mesmo se deslocar até se tornar um continente à parte, em uma separação que se consolida na ficção de Saramago, em que os países peninsulares serão um só organismo a partir do evento do deslocamento.

Ao encontrarem-se Joana Carda e José Anaiço, respectivamente a responsável pelo risco no chão que teria causado a fenda entre a Espanha e os Pirineus e o senhor acompanhado pelos estorninhos, a história parece ter seu primeiro elo fechado: os estorninhos abandonam José Anaiço assim que ele estabelece uma ligação com Joana. Com Joana Carda, são quatro os companheiros que tentarão solucionar o enigma do deslocamento da península, e eles decidem viajar juntos. Logo a barreira da língua é levantada por Saramago:

Apresentados assim os dados do problema, parece que deveriam estes dois viajar no banco de trás, indo à frente, logicamente, piloto e co-piloto. Mas Pedro Orce é espanhol, Joana Carda portuguesa, nenhum deles fala a língua do outro, além disso acabaram agora mesmo de conhecer-se, lá mais para diante não diremos que não, quando houver outra familiaridade.33

Joana leva os companheiros ao lugar onde teria feito o traço com a vara; e de fato, a fenda não se desmanchava nem com água, nem quando pisada. Seria essa uma alegoria para o fato de estar a península, ao mesmo tempo separada e intimamente ligada por fatores culturais? Segundo Pessoa, não há modos de entender o português sem que se entenda o espírito ibérico. “(…) para saber-se o que significa ser-se português, é preciso saber o que significa ser-se ibérico; para determinar qual seja a cultura portuguesa, é primeiro necessário definir a Ibéria”34. A fenda que não se desfaz seria uma alegoria proposta por Saramago para mostra que, por mais que se tente separar os elementos culturais inerentes à formação dos dois países, eles são componentes um do outro.

Saramago nos coloca ainda que os europeus logo se acostumaram com a ausência das terras ocidentais, fazendo uma comparação com a Vênus de Milo: é certo que um dia teve os braços, mas sabemos que ela mesma se caracteriza pela falta deles: “Com a continuação dos séculos, se eles continuarem, a Europa nem se lembrará mais do tempo em que foi grande e se metia pelo mar dentro, tal como nós, hoje, já não conseguimos imaginar a Vénus com braços35. Na página adiante, o autor diz que, por mais que não fosse lisonjero, certos europeus sentiam-se bem em se livrar dos “incompreensíveis povos ocidentais”, dizendo que outras partes espúrias também se separariam mais tarde. Porém, havia dentre os que se solidarizavam com os “deslocados”, espalhando-se pela Europa um movimento de apoio identificado pela frase, repetida em diversos idiomas: “somos ibéricos”. Tal movimento de solidariedade teria feito com que os demais países europeus acolhessem a causa peninsular com mais simpatia, embora “como de costume, tudo dependa de poderem as nossas necessidades ser satisfeitas pelas disponibilidades excedentárias deles”.36

Quando os companheiros de jornada chegam ao norte, juntam-se a eles mais dois aventureiros: o cão Ardent/ Constante, uma espécie de oráculo para os viajantes e Maria Guavaira, uma galega que ao desmanchar uma meia de lã, teria reparado que esta, ao invés de diminuir, só crescia. O especial de se analisar é que, nesta viagem, cada qual encontrou sua metade totalizadora: José Anaiço se apaixonou por Joana, Joaquim Sassa se interessou por Maria Guavaira e o cão Constante se tornou o inseparável companheiro de Pedro Orce. É uma boa metáfora para a península: na história de Saramago, ela se separa da Europa, porém os dois países, Portugal e Espanha, se mantém juntos. Os une a herança cultural, a unidade peninsular, e, particularmente no que se diz respeito ao texto de Saramago, a sina de não mais pertencimento ao continente europeu.

Os companheiros então decidiram se embrenhar no interior da península para fugir ao choque desta com os Açores. Porém, dada certa altura, a jangada de pedra começou a navegar em direção norte, salvando a população do choque e da morte. Já em terras espanholas, os viajantes não sabem o que fazer para manter sua subsistência; muito de seu ofício não teria préstimo em terras estrangeiras, ainda que Joana e José fossem professores:

José Anaiço é professor dos primeiros anos, e com isto se disse tudo, sem falar que está em terra doutra geografia e doutra história, como iria ele explicar aos meninos espanhóis que Aljubarrota foi uma vitória quando estão habituados a esquecer que foi uma derrota?.37

Decidem viver a exemplo dos antigos árabes, como vendedores ambulantes de roupas. Enquanto o grupo se desloca para a Espanha, atravessando o Caminho de Santiago, a península foi retomando seu eixo a Ocidente, dando a entender que voltaria a seu ponto de origem.

Saramago cria um universo onde portugueses e espanhóis, juntos em uma jangada de pedra, conviverão em harmonia. E quando Maria Guavaira (galega) se deita por piedade com Pedro Orce (espanhol), sendo seguida por Joana Carda (portuguesa) no mesmo gesto, claro nos fica a comunhão imaginada pelo autor: ao cederem seus corpos ao espanhol, é como se tanto Portugal quanto a Galícia se reconciliassem com a Espanha. A traição, perdoada pelos companheiros portugueses de Joana e Maria e a posterior gravidez das duas mulheres, seguidas da dúvida em relação à paternidade de seus respectivos filhos e concomitante à continuação da viagem de todos ainda juntos corrobora a idéia de coesão cultural da Península e o entendimento entre os dois países que estavam então, à deriva, consolidando a idéia máxima de Natália Correa de que ali, afinal, eram todos hispanos.

Em meio aos interesses estadunidenses, que tentam tirar proveito da situação peninsular, há a desconfiança vinda de Madrid, em decorrência da proximidade que Portugal teria com o Canadá e com os Estados Unidos, e também por conta das terras da Galícia:

Havendo mesmo quem diga, com certa ironia, e tenha posto a correr, que nada disto teria acontecido se Portugal fosse do lado dos Pirenétis, e, melhor ainda, se ficasse agarrado a eles ao dar-se a ruptura, seria a maneira de acabar, de uma vez para sempre, pela redução a um só país, com esta dificuldade de ser ibérico, mas aí enganam-se os espanhóis, que a dificuldade subsistiria, e mais não diremos.38

Na imprensa, dizia-se de tudo, inclusive que se precisaria de um novo Tratado de Tordesilhas para se dividir novamente o mundo. Politicamente, os espanhóis passaram a questionar o centralismo de Madrid e em Portugal, voltou-se a adotar os estudos de ocultismo e esoterismo como fonte de explicação para seu futuro:

O mundo está cheio de coincidências, e se uma certa coisa não coincide com outra que lhe esteja próxima, não neguemos por isso as coincidências, só quer dizer que a coisa coincidente não está à vista. No exacto instante em que os viajantes se debruçavam para o mar, a península parou. Coincidência ou não, os destinos se cruzaram, se acertaram.

A caravana foi aos poucos retornando às suas respectivas terras de origem após ir ao outro lado da “balsa” de pedra para “ver a Europa” que muitos deles nunca tinham visto. Quando a terra para de tremer, Pedro Orce falece. Os companheiros, fiéis, levam seu corpo até sua cidade, na província de Granada. Com o enterro do velho, o cão se vai, a península finalmente estaciona e a vara de negrilho, que fizera o papel de cruz na sepultura de Pedro Orce, finaliza o texto de Saramago com promessa de florescer, em uma metáfora forte deixada para nós por pelo último dos iberistas, de que ser a união ibérica uma realidade possível. Os filhos que tanto Maria Guavaira e Joana Carda levam em seus ventres, assim como o “baby boom” que acontece na península propõem a idéia de uma nova geração para a península, desta vez híbrida, juntando o sangue português e o sangue espanhol, dando origem a uma nova geração Ibérica; uma geração que já nasce inserida em uma nova Europa integrada em novos moldes sancionados pela égide da União Européia que, pelo bem ou pelo mal (dada a crise econômica dos últimos anos), faz um exercício de re-aceitação da península em seu organismo.

Bibliografia

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1 ROCAMORA, JOSÉ ANTONIO. El Nacionalismo Ibérico. Universidad de Valladolid, 1994, p. 28.
2 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p. 10.
3 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p. 12.
4 LOURENÇO, Eduardo. Europa y Nosotros. Huerga y Fierro, 2001, p. 21.
5 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p. 149.
6 SARAMAGO, JOSÉ. “Mi Iberismo”, in Sobre el iberismo y otros escritos de literatura portuguesa, de César Antonio Molina. Ediciones Akal. Madrid, 1990.
7 SARAMAGO, JOSÉ. Idem.
8 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p.15.
9 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p.16.
10 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p.17.
11 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p.25.
12 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p.31.
13 UNAMUNO, Miguel. Por tierras de Portugal y España. Ediciones Globo, Madrid, 2000, p. 44.
14 ROCAMORA, José Antonio. El Nacionalismo Ibérico. Universidad de Valladolid, 1994, p. 14.
15 LOURENÇO, op. cit., p. 65.
16 LOURENÇO p. 155.
17 LOURENÇO p. 60.
18 LOURENÇO p. 104.
19 LOURENÇO p. 114.
20 LOURENÇO, p. 37.
21 LOURENÇO, p.61.
22 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p. 50.
23 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p. 53.
24 REPARAZ, G. La constitución natural de España y las de papel. Editorial Mentora, Barcelona, 1928, p. 184.
25 SARAMAGO, JOSÉ. “Mi Iberismo”, in Sobre el iberismo y otros escritos de literatura portuguesa, de César Antonio Molina. Ediciones Akal. Madrid, 1990.
26 OLIVEIRA MARTINS, JOAQUIM PEDRO. História de la Civilización Ibérica. Seminários y Ediciones, S. A. Madrid, 1972, p. 95.
27 FUSI AIZPURÚA , JUAN PABLO. España: la evolución de la identidad nacional. Ediciones Temas de Hoy, Madrid, 2000, p. 55.
28 LOPEZ SUEVOS, RAMÓN. Portugal no Quadro Peninsular. Subsídios para a análise hisórica-estrutural. Edita e Promove AGAL (Associação Galega da
Língua), 1987, p. 9.
29 BALIÑAS, CARLOS. Pensamento Galego - I. Sociedade de Estudios, Publicacións e Traballos. S.A Vigo, 1977, p. 79.
30 PESSOA, FERNANDO. Ibéria. Atica, Lisboa, 2000, p. 89.
31 SARAMAGO, JOSÉ. “Mi Iberismo”, in Sobre el iberismo y otros escritos de literatura portuguesa, de César Antonio Molina. Ediciones Akal. Madrid, 1990.
32 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p. 67.
33 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p.102.
34 PESSOA, FERNANDO. Ibéria. Atica, Lisboa, 2000, p. 16.
35 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p.116.
36 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p.117.
37 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p.207.
38 SARAMAGO, JOSÉ. A Jangada de Pedra. Editorial Caminho, Lisboa, 1994, p.209.