Jordi Cerdá – Egito Gonçalves a José Agustín Goytisolo: el testimonio de una camadaragem

ortegaEnsayo, SO6, Suroeste

Jordi Cerdá

Egito Gonçalves
a José Agustín Goytisolo:
el testimonio de una camadaragem

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Almerinda Pereira. José Luís Peixoto. 2014

La correspondencia que damos a conocer forma parte del archivo personal de José Agustín Goytisolo conservado en la Biblioteca d’Humanitats de la Universitat Autònoma de Barcelona.1 Se trata de un conjunto de cartas y tarjetas postales que Egito Gonçalves envió al poeta barcelonés entre 1959 y 1962, un periodo que coincide en gran medida con el proceso de elaboración de su antología Poesia espanhola do após-guerra publicada en 1961.

Egito Gonçalves fue el secretario de la revista de Oporto Bandarra durante su segunda serie de cuatro números, a partir de 1959, y compartió labores editoriales con Ángel Crespo, responsable de la colaboración española de esta publicación. Ya en su día, el profesor Perfecto Cuadrado señaló el tono iberista de la redacción de Bandarra. También aquí, como en la mayor parte de relatos de confluencia entre iniciativas literarias peninsulares de la segunda mitad del siglo XX, debe aparecer Ángel Crespo. El poeta manchego había incluido a Gonçalves en su Antología de la Nueva Poesía Portuguesa publicada en Adonáis en 1961. Es esta antología de Crespo un referente casi simultáneo, como el propio Gonçalves confiesa a Goytisolo, para la Poesia espanhola do após-guerra. Y fue también Ángel Crespo quien seleccionó, tradujo y prologó Treinta poemas de Egito Gonçalves para la colección «Poetas de Hoy» de La Isla de los Ratones (1962), el primer y único autor portugués de este prestigioso catálogo. En parte coincidente en el tiempo a esta correspondencia es la Revista de España (1960-1963), dirigida por Ángel Crespo y Gabino-Alejandro Carriedo, una publicación que desde Madrid congregará no sólo las voces poéticas en español del momento, también en portugués, catalán y gallego. Se trata, pues, de una plataforma poética concurrente con la de la revista Bandarra y en la que Egito Gonçalves y José Agustín Goytisolo van a ver sus poemas publicados.

Esta correspondencia que editamos es asimismo un documento para la historia de la poesía social, de cómo y de qué manera un proyecto ideológico y estético impulsó una serie de estrategias conjuntas para darse a conocer y arrebatar la hegemonía a otras tendencias oficiales o declinadas en el medio poético peninsular. Y todo ello en un contexto político interno hostil, en unas dictaduras, la salazarista y la franquista, que hostigaban y de qué manera a estos compañeros de viaje. Estas cartas son un testimonio de las Notícias do bloqueio, de su silencio duro y violento, de su rabia incontenida que, no obstante, consigue llegar «aos que no continente esperam ansiosos.» En efecto, las notícias rebasaron los muros y alcanzaron unos destinatarios europeos que avalaron sus iniciativas y que, en definitiva, patentizan el éxito de su internacionalización. Esta correspondencia da debida cuenta, por ejemplo, de los mediadores italianos que apostarán por la introducción en su país de escritores ibéricos que, como Goytisolo, procuraban: «dejar por escrito / lo que pasa.» En 1966, el editor –y poeta– Jean Oswald publicará en París la antología La poésie ibérique de combat a cargo de François Lopez y Robert Marrast; una muestra impagable de esta lectura combatiente y ibérica, donde no faltará Egito Gonçalves ni, claro está, José Agustín Goytisolo.

Egito Gonçalves exhibe en esta correspondencia un conocimiento directo del medio literario español. No se trataba de un circunstancia singular entre escritores portugueses coetáneos. Sería el caso, por ejemplo, de Eugénio de Andrade o de Fernando Echevarría, poeta, este último, a quien recurre Gonçalves para sus dudas en los textos de los poetas españoles escogidos para su antología. Como sugirió Óscar Lopes en el ensayo que antecede a Os arquivos do Silêncio de Egito Gonçalves, el poeta portugués se distingue respecto al resto de su generación, incluso respecto a los encuadrados en la tendencia neorrealista, por el influjo evidente de la poesía social española. Si bien el neorrealismo disponía en Portugal de más de dos décadas de recorrido, como indica Lopes, nunca había alcanzado la «energia frontal» que en España caracterizaba la poesía social y que el crítico apunta transferida a Egito Gonçalves. Os arquivos do silêncio incluye la suite «Pequeno diálogo ibérico» donde Egito Gonçalves remeda estilos y temas de escritores españoles, cuyos nombres constituyen por ellos mismos el friso de toda una época. No puede faltar el diálogo con José Agustín Goytisolo que es remitido por Gonçalves en la carta del 21 de noviembre de 1959. Por último, cabe destacar el corresponsal, el confidente, José Agustín Goytisolo. A pesar de no disponer de sus respuestas, advertimos su connivencia y añadiríamos su autoridad para proponer o rechazar nombres y estilos de la poesía española. Aunque todavía no se conocían personalmente, Gonçalves y Goytisolo establecen una amistad basada en la total confianza y en la participación mutuas, en la camaradagem. También en estas cartas aparecen nombres apenas vislumbrados, proyectos que no llegaron a realizarse. Con todo, todavía conservan la energía frontal cómplice, la esperanza compartida en que «algo nuevo suceda.» Después de más de cincuenta años, damos a conocer esta correspondencia para que, más allá de su positivo valor para el ejercicio erudito, sea recordatorio de tareas todavía pendientes y de valores compartidos que merecen estar presentes a día de hoy.

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Goy C / 1477
Porto, 21 de Novembro de 1959

Caro amigo e camarada.

Quatro linhas apenas para lhe acusar a recepção dos seus livros, cuja oferta muito agradeço. Tenho agora de si uma fisionomia completa, que os poemas dispersos, que conhecia, não me tinham dado. E ainda bem. Porque é um grande poeta em corpo inteiro o que me aparece. Amargo e sarcástico, numa luta permanente com o que há em si de lírico suave. É a existência deste lirismo (que produziu o seu primeiro livro) que torna em autêntica poesia os Salmos ao vento; cujos temas, no entanto terrivelmente difíceis, conseguem ser perfeitamente réussis. Claridade, parece-me um livro mais sereno; um pouco com quem já descarregou alguma cólera e agora fala com mais calma. Auguro-lhe um belo futuro de poeta.

Traduzi já alguns poemas seus. Do primeiro e do terceiro livro. Traduzirei em breve dois dos Salmos... Depois disso enviar-lhe-ei as traduções, para que as leia e dê as sugestões que lhe parecer, ou me aponte os possíveis erros de interpretação. Creio que não se pode traduzir poesia sem estes cuidados. Só depois disso, eu mimarei os poemas o rectificarei certas expressões. Preciso, para isso, de deixar passar algum tempo, até me libertar da fonia espanhola.

Gostaria de traduzir dos salmos o seu admirável poema «Los celestiales». Não o farei, apenas porque, sendo em Portugal desconhecido o movimento “garcilacista” e o seu significado “oficial”, o poema perderia uma parte do seu significado.2 Terá pois em breve notícias minhas. Até lá um abraço do camarada e amigo às suas ordens

                             Egito Gonçalves
                             Egito Gonçalves. Rua de Santa Catarina, 840
                             Porto-Portugal

Obrigado pelos seus endereços e pelo auxílio. Ai, de Barcelona, apenas Blas de Otero não me respondeu.3 Não possuo qualquer livro dele.

Pequeno diálogo ibérico

Com José Agustín Goytisolo

                             O sol não ilumina
                             o rosto do que amamos.
                             Rodeados de noite gritamos “Claridade!”
                             e o eco responde
                             sibilinos venenos.
                             Pesa um sol de chumbo
                             sombras no que sonhas
                             sob este céu vazio,
                             sobre os sulcos que a dor
                             forma rios da pátria.
                             Virá a claridade
                             –mas que montanha, praia,
                             lhe verá as primícias?
                             Impede-lhe o acesso
                             a cinza em suspensão
                             que só ao punho armado
                             tombará liquefeita.
                             Poderemos então vê-la,
                             mesmo nas caves onde
                             travamos a erosão,
                             jorrar como o petróleo
                             de um solo torturado.
                             Será os nossos fatos,
                             surgirá sob as portas,
                             dará sinais ao trânsito.
                             Mas sem o punho erguido,
                             o eficaz gatilho,
                             não nos darão por mérito
                             o que invocas e nós
                             pedimos: Claridade.4

                             Egito Gonçalves

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Goy C /1475
Porto, 30 de Novembro de 1959

Caro amigo

Conforme o prometido, ai vai a primeira amostra das traduções. Como lhe disse, ainda é tudo para rever, mais tarde. Por agora pretendo saber a sua opinião. Cingi-me, (como é meu hábito e me parece que deve ser) o mais possível ao texto original. Não pude porem de deixar de modificar uma ou outra expressão por alterar o ritmo ou ser cacofónica em português.

Aguardo as suas notícias e peço-lhe que me devolva as traduções. No entanto não tenho pressa das mesmas, pode retê-las o tempo que necessitar.

Um abraço amigo do

               Egito Gonçalves

Goy C / 1474 [manuscrita]
Porto, 12-4-60

Recebi a tua carta. Sabia já, por ter lido nos nossos jornais, da prisão de teu irmão Luiz.5 Ignorava porem qual a acusação. Aqui, infelizmente, acontece a mesma coisa. Mas, por acaso, ninguém é acusado por ter visitado a Alemanha Oriental ou a Tchecoslováquia. Há muita gente aqui que o tem feito, sem ter acontecido nada. Mas muitas vezes é-se preso sem acusação e sai- -se meses depois, sem julgamento. De resto as coisas tem piorado muito por aqui, desde há um ano e tal. Tem apertado sobretudo com os intelectuais e com os católicos da esquerda. Infelizmente os presos são tantos que há presos à espera de julgamento há perto de dois anos. Ultimamente o que está aqui em moda são as fugas. Tem fugido gente das várias prisões, e algumas dessas fugas foram sensacionais.

Espero que tudo se resolva pelo melhor. Se precisares aqui de alguma coisa, dispõe de mim.

Penso ir, no verão, a Marselha onde conto muitos amigos. Em tal caso passarei um ou dois dias em Barcelona (que só visitei muito rapidamente há dois anos). Espero então ter o prazer de te conhecer, e os teus amigos.

A antologia prossegue lentamente. A dificuldade é que alguns poetas não respondem e obrigam-me a demoras. Recebi ontem as Poesias completas de V. Gaos.6 E talvez dentro de quinze dias dê uma saltada a Madrid, pois tenho uma boleia para lá. De qualquer modo a antologia não sairá antes de perto do fim do ano. Acompanho-te na tua angústia.

Um abraço amigo do

             Egito Gonçalves
             R. Santa Catarina, 840
             Porto

Goy C / 1473
Porto, 11 de Maio de 1960

Caro amigo

Lamento que ainda nada se tenha resolvido e VV. continuem a viver na angústia e na incerteza. Estive em Madrid alguns dias, mas com tão pouca sorte, que o meu amigo, segundo Gabriel Celaya me informou, tinha acabado de partir para Barcelona.

Lamentei não o poder encontrar. No entanto Celaya disse-me que havia esperança de tudo se resolver breve. O melhor é estar preparado para o pior. Regimes destes não dão quaisquer garantias. De tudo se faz um crime complicado e tudo é subversivo desde que não esteja na linha imposta por decreto-lei.

Cheguei a Madrid no dia em que o jornal «Pueblo» publicou a sua carta, com a de Juan, e o extenso e miserável comentário ao lado.7 Crespo contou-me a história das cartas. Apesar de tudo, essa espécie de “denúncia pública”, de caça às feiticeiras que os jornais praticam, é aqui quase desconhecida. Aqui os próprios fascistas tem mais pudor. De resto a situação em Portugal é extremadamente confusa e não se sabe mais quem é fascista. Está neste momento a funcionar em Lisboa, à porta fechada, um grande julgamento, onde os réus são quase todos parentes de ministros e de gente da situação. Ultimamente o maior número de pessoas que tem sido presas é constituído por católicos. A Igreja está fazendo uma viragem e quer ter vitimas para se poder impor amanhã como tendo lutado contra o regime. De tudo isto alguma coisa há-de sair. No entanto ainda levará muito tempo, salvo qualquer acontecimento imprevisto.

Envie-lhe já ontem a melhor antologia de poesia portuguesa que temos.8 Suponho que era só da poesia contemporânea que lhe interessava. Há ainda uma outra mas é muito mal feita. A que lhe enviei, na minha opinião, é quase perfeita. Para mim, tem a mais dois ou três amigos pessoais do autor, e tem a menos dois ou três nomes, um dos quais é uma exclusão escandalosa, pois trata-se de Papiniano Carlos, um dos nossos bons poetas. O que é muito bem feito, nessa antologia é o estudo inicial. Muito corajoso e por vezes mesmo violento. O autor está hoje refugiado no Brasil onde é professor de uma Universidade. Qualquer outro esclarecimento que deseje (ou livro) sobre a poesia portuguesa, diga e logo seguirá. Quanto a enviar-me qualquer livro em troca não creio necessário. Tenho o maior prazer em enviar-lhe o livro, sem qualquer espírito de troca. No entanto, e no seu caso especial, lembro-me agora que só tenho, do seu irmão Juan, o livro Juegos de manos. Se tiver possibilidade de me enviar qualquer outro dos livro dele, eu agradeço- lhe. Tenho o livro de seu irmão Luis.9 Comprei-o há pouco em Madrid. Não tive ainda ocasião de o ler, mas fá-lo-ei em breve.

Estou a traduzir presentemente, para a minha Antologia, alguns poemas de Claudio Rodríguez, dos Conjuros. Um belo livro. Poeta muito difícil de traduzir. Assim como Carlos Barral, que tenho lido e relido e ainda não consegui traduzir nada dele que me satisfizesse.

Recordo-me agora que Ángel Crespo tem uma Antologia da Poesia Portuguesa já pronta e entregue à Adonais. Conheço a Antologia em pormenor e, salvo pequenas divergências, estou muito de acordo com ela.10 Creio que sairá em Outubro.

Tenho sempre o maior prazer nas suas notícias. Se eu for a França não deixarei de lhe bater à porta. Não se preocupe, porem com alojamento para mim. É que vou com minha mulher, o que complica muito as coisas, para aceitar a casa de um amigo. De resto, se um dia pensar vir a Portugal, desde já retribuo a sua amável oferta. Seria para mim grande prazer.

Um grande e amigo abraço do seu camarada

Egito Gonçalves

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Goy C / 1476
Porto 13-6-60

Querido amigo

Boa notícia essa. Alegro-me muito. Dei a notícia a toda a gente, pois os nossos jornais não disseram nada (embora tivessem dado a notícia da prisão). Ainda bem que tudo acabou pelo melhor.

Recebi os dois livros de Juan. Obrigado. Estou a ler com o maior interesse Campos de Níjar. Um récit vivo, cheio de insinuações, de interesse e simpatia humana. Um género que não temos em Portugal.

Alegra-me que estejas a gostar da poesia portuguesa, através da Antologia que te mandei. Eu veio que ela atinge, entre nós, por vezes, um alto nível artístico. Porém, é pouco combativa. Muito surrealismo, muito saudosismo, dá por vezes uma mistura frouxa e abstracta. Em Portugal ainda se acredita muito na “arte pela arte”.

Envio agora um exemplar da Memória de setembro a Castellet.11 Em tempos ele anunciou-me a Antologia para o dia 23 de Abril. Como estamos em meio de junho, suponho que terá havido dificuldades.

Quanto à minha Antologia está completamente parada, porque estou agora a traduzir três peças do Sastre.12 Mas apenas me faltam traduzir 6 poetas. Saludos amigos e um abraço do

Egito

P.S. Entretanto acabei Campos de Níjar. Estimo-o um livro admirável que me causou uma funda impressão. Bem escrito, o livro comunica aquela paisagem pobre, desolada, a aquela humanidade abandonada do sul da Espanha. O episódio do vendedor de tunas é inesquecível e obrigou-me a fechar o livro, porque a emoção me impedia continuar. Gracias por tu envio.

Um outro abraço do amigo

Egito

Goy C/ 1478
Porto, 28 de Fevereiro de 1961

Meu caro amigo

Obrigado pelo teu postal pedindo notícias. Escrevo-te com o maior prazer, tanto mais que estou agora um pouco mais livre de vários trabalhos que me tem ocupado nos últimos tempos –além da grande tensão em que presentemente aqui se vive e que não permite uma grande atenção ao trabalho.

Terminei esta semana a Antologia, na parte que diz respeito a seleção e traduções. Já há muito tempo que não lhe pegava mas agora finalmente acabei. Não sei se escreverei o prefácio para ela. Acontece que não sou ensaísta e não poderia dizer nada de muito original sobre a poesia espanhola. Creio que vou escrever a Castellet para ele me permitir a tradução de uma parte o ensaio dele nos XX anos de poesía española, pois seria o melhor para ilustrar a evolução histórica da v/poesia. Li um condensado desse trabalho de Castellet na revista belga Jalons que me parece servir perfeitamente. O que eu poderia escrever seria aquilo mesmo, mas menos bem. Estou pois a pensar que esse solução seria boa.13

Aparte isso, durante este período, reformei completamente uma velha e má revista que aqui havia, chamada Bandarra. Não podemos fazer revistas novas: a solução é deitar a mão às raras que existem. Foi o que fiz. Tenciono nela dar grande importância à colaboração espanhola. Neste número surge o princípio da m/tradução dos «Problemas de la novela» do teu irmão Juan, e um conto do Jesús López Pacheco.14

Dentro de dias sairá um novo número de Notícias do Bloqueio colaborado com poetas de Angola.15 Entretanto vai também sair a tradução minha de três peças do Alfonso Sastre. Uma delas, a Mordaza está na censura e, se for permitida, fá-la-emos no Porto no nosso teatro.

Como vês tenho trabalhado bastante. Um editor de Lisboa tem presentemente o meu último livro, já pronto, Os arquivos do silêncio, para uma nova coleção de poesia. Mas não sei ainda quando será lançado. Espero que seja ainda antes do verão.

Quanto às minhas férias ainda não sei nada. Tenho mais ou menos combinado dar uma grande volta por Espanha, talvez com um outro amigo poeta, o Daniel Filipe, que acaba de publicar um magnífico livro. Iria conhecer a parte de Andaluzia que não conheço e depois seguiríamos ao longo da costa, até Barcelona. Depois viríamos por Madrid. É ainda um pouco cedo para decidir definitivamente.

Alegro-me que me envies finalmente o teu livro.16 É um belo livro, que terei grande prazer em reler. E alegro-me que o tenham finalmente publicado.

Enviar-te-ei a Bandarra logo que saia. Escreve sempre e aceita um grande abraço amigo do

Egito Gonçalves

P.S.: Não posso dar-te, de momento, outras notícias.

[En el margen superior izquierdo, escrito a mano ---y suponemos que por José Agustín Goytisolo, hay la anotación: «Pedir Jalons»]
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GoyC_1465
Porto, 1 de Maio de 1961

Querido amigo,

Recebi a tua carta e, efectivamente, estou bom de saúde e esperando a primavera, embora o tempo, por enquanto, esteja ainda bastante frio.

Sobre a tua carta, agradeço muito os teus conselhos e não me aborreço nada com eles. A minha Antologia, a principio foi gisada por sectores poéticos: isto é, ela incluiria os vários representantes das várias tendências poéticas, sem descriminação. Mas á medida que eu ia estucando a poesia que me chegava às mãos, a ideia ia-se modificando, e cada vez mais se radicava em mim a importância a relevar da poesia realista (o que tornava a antologia importante também para Portugal, por contraste com o facto de a poesia realista, aqui, estar em crise, e só a minha pequena revista Notícias do Bloqueio a estar mantendo). Mas apesar disso eu, até há muito pouco tempo, mantive uma certa dúvida sobre representantes de outras tendências: como Prado Nogueira e Molina.

Quanto a Manuel Pacheco trata-se de um engano, pois ele não está incluído na Antologia; nunca esteve, por engano saiu o nome dele na lista da Bandarra, mas a lista está errada em vários sítios, nem eu sei porquê. Quanto a Molina e Prado Nogueira, eu via perfeitamente que a sua qualidade é inferior. A minha dúvida é a que te expus acima, sobretudo quanto a Molina. Porque quanto a Prado Nogueira, quem me chamou a atenção sobre ele, foi precisamente o Crespo, é certo que já há muito tempo, há mais de um ano. Agora com a carta de Castellet e a tua, não há dúvida: serão excluídos. Ignorava de resto aquilo que me dizes sobre as suas “ideias” e isso conta ainda mais do que qualquer outra coisa.

Quanto a Fernández Arroyo, esse creio que ficará. Compreendo que ele não tem a mesma qualidade dos outros.17 Mas acredito que tem possibilidades de criar uma poesia original, se trabalhar para isso. O problema complica-se pelo facto de eu o conhecer e ele saber que eu o tinha seccionado. Não tenho coragem de o eliminar agora, não por mim, mas por ele. De resto, se só ele estive “a mais” não haverá grande mal.

Quanto aqueles que faltam, eu explico:

Ángel González não conhecia. Ele só tem um livro publicado. Vi os dois poemas que Castellet publica na Antologia dele, mas não bastaram para impor à minha curiosidade. (Tanto mais que eu gosto muito do prefácio da Antologia de Castellet, mas não da Antologia propiamente dita. Não gosto do sistema de ordenação dela, como também não gosto do sistema da “portuguesa” de Crespo. Farei a minha pelos anos de estreia, que é o que me parece mais lógico.) Agora Ángel González acaba de me enviar galeradas do seu novo livro e até alguns poemas inéditos. Agora sim, reconheço que era um erro não o incluir.

Li o pequeno livro de Carlos Sahagún. Tem interesse, mas não me parece verdadeiramente original. Durante algum tempo hesitei nele e até cheguei a traduzir dois ou três poemas. Aconteceu-me o mesmo com a María Beneyto, de quem li os Poemas da cidade.18 Nela ainda hesito, porque neste livro há alguns poemas que verdadeiramente me interessam.

Já te escrevi isto a ti, peço-te que mostres a carta a Castellet, pois isso evita-me ter de lhe escrever a ele a mesma coisa. De momento a Antologia encontra-se há procura de editor. Vou a Lisboa dentro de dias por causa disso. Se arranjar editor farei rapidamente as modificações. De resto, como estamos perto de verão, ela só sairá depois de Outubro. E nesta data não sei como estaremos nós para publicar pois a situação começa a tornar-se cada vez mais grave. Dentro de algum tempo, a relativa liberdade que tem havido com a publicação de livros, temo que desapareça.

Entretanto espero ver-te em Setembro em Barcelona. Irei aí com um amigo, o poeta Daniel Filipe, que acabe de publicar um livro muito bom, A invenção do Amor. Vou pedir-lhe que te envie um exemplar. Iremos aí, por uns dias, se entretanto não nos acontecer nada.

Se entretanto vieres a Portugal, avisa. E se vieres ao Porto poderás ficar em minha casa, pois tenho um quarto que é um verdadeiro acampamento: saem uns e entram outros.

Dentro de três dias sai um volume de peças de teatro do Sastre, traduzidas por mim. Uma delas A Mordaça está a ser representada pelo nosso teatro.

Um grande abraço amigo do

Egito Gonçalves

PG. Vou ver se arranjo editor para traduzir Campos de Níjar.19

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Goy C / 1468
Porto, 30 de Junho de 1961

Meu caro amigo,

Obrigado pela tua informação sobre a colecção de Santander. Aceitarei então a proposta.20

Ainda bem que VV. adiaram a viagem a Portugal para depois da publicação da Antologia. A época agora é má, porque já está muito calor e com a época do calor aqui para tudo: conferências, recitais, etc. Depois, quando se combinar que VV. venham, eu organizarei a coisa, pelo menos em Lisboa, Coimbra e aqui no Porto. Quando à Antologia não sei ainda a data possível da publicação. Acabo de receber carta do editor, dizendo que publica a Antologia, mas que terá de ser mais pequena. O que fiz dá para um volume de 300 páginas e eles não querem senão 220. Que remédio senão cortar: manterei o mesmo número de poetas, mas reduzirei os poemas de cada um. Espero que saia ainda este ano, depois de Outubro.

O teu anunciado livro continua ainda sem sair? Creio que o meu editor tem também medo de publicar o meu. No entanto Arrigo Repetto pensa que talvez possa publicar o livro em Itália, na colecção em que publicou Pacheco.21 Eu ficaria bem contente.

Espero ver-te este verão. Entretanto cumprimentos para todos os amigos e um abraço para ti do

Egito Gonçalves 

Goy C / 1466
Porto, 2 de Junho de 1961

Caro amigo

Ángel Crespo traduziu vários poemas meus, para um volume de poesia a publicar em Espanha. Estou a rever algumas traduções e ele propõe-me que o livro seja publicado numa coleção intitulada «Isla de los Ratones». O diretor da coleção envio-me alguns volumes. Vejo que é uma coleção heterogénea, com Gabriel Celaya (bem) e com Carlos Murciano (mal) etc. Não quero pôr o problema ao Crespo, para o não magoar. Escrevo-te para perguntar o seguinte: Crês que não há inconvenientes para mim em publicar nessa coleção? Em Portugal as coleções são mais “definidas” do que em Espanha –salvo exceções. Isto é, aqui há coleções da direita e da esquerda e uns não entram nas outras. É de uma coisa dessas que eu temo. Se não vês inconveniente, darei o consentimento. De qualpaquer modo peço-te que me informes do que pensares, com urgência. E não digas nada a Crespo, quanto às minhas dúvidas.

Espero a tua resposta e, entretanto, envio-te um abraço amigo

Egito Gonçalves

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Goy C/ 1467
Porto, 10 de Outubro de 1961

Meu caro amigo,

Depois de passar alguns dias de férias no sul de Portugal, dei um salto a Sevilha e pensava seguir ao longo da costa e chegar talvez a Barcelona. Porém o calor era excessivo e minha mulher sentiu-se mal de modo que viemos para o norte, fugindo à canícula. Subi para Cáceres, León e depois Santiago de Compostela, ver a exposição de arte românica. Barcelona ficará para outra vez.

Não tenho notícias de aí há longo tempo. Quando sai afinal o teu livro? Da minha antologia creio já te ter dito que estava pronta, embora reduzida a dois terços do tamanho anterior. Só assim obtive editor. No entanto o editor ainda não me informou da data provável de saída do volume.

Quanto ao resto a vida continua, sem uma luz no horizonte. Preparo o número 3 da revista Bandarra, que tem sido muito cortada pela censura. Nada mais.

Dá-me notícias daí, dos projectos que porventura tenhas. Se vires ao amigo Joaquin Horta diz-lhe que continuo à espera dos prometidos poemas catalães.22

Entretanto aceita um abraço amigo do

Egito Gonçalves

Cumprimentos para Barral e Biedma assim como para Castellet. 

Goy C / 1471
[Sin fechar]

Caro amigo, Se sabes alguma coisa sobre um poeta espanhol, chamado Juan Cervera Sanchis, peço-te que me digas urgentemente (na volta do correio) o que for possível. Vão fazer-lhe aqui um espécie de homenagem. Necessito saber do seu valor, política, etc. a fim de evitar alguma ratoeira.

Um abraço amigo do

Egito Gonçalves

Goy C/1472
Porto, 31 de Outubro de 1961

Meu caro amigo,

Obrigado pela tua pronta resposta, com uma informação que era afinal a que eu esperava, pois também nunca tinha ouvido falar do “famoso” poeta. O caso é o seguinte: Uma livraria do Porto, à qual estou ligado, e a Associação dos Jornalistas e Escritores, receberam, ao mesmo tempo, a notícia da vinda a Portugal do tal famoso poeta espanhol, dada por um tipo que há em Lisboa, e que e cheira a aldrabão, chamado José dos Santos Marques. Este homem inventou uma Panorâmica da poesia luso-hispânica que sai em folhetos de má apresentação gráfica. Ora o dito tipo, editou ou vai editar um folheto com o tal poeta. 23 E pedia-nos para cedermos a livraria para uma sessão de assinaturas, e para uma conferência de Imprensa. E pedia-nos a cedência e o patrocínio da Sala da Associação para um colóquio público com o poeta espanhol. Dizia-nos que já tinha arranjado uma entrevista na rádio, o que também não admira porque a rádio não tem qualquer nível. Eu fui solicitado para informar quem era o poeta de modo a resolver-se se se dizia que sim ou que não. Mas tive de informar que o homem era um desconhecido em Espanha. No entanto, por descargo de consciência, não fosse dar-se o caso de eu estar enganado, escrevi-te a ti e ao Crespo. Perante as respostas, foi resolvido negar o pedido do homem. Recebi o teu livro e aproveitei para reler todos aqueles poemas, que já conhecia. Nas suas três fases, todo o livro possui uma grande unidade e é uma bela confirmação de excelente poeta que és.24 Envio-te um poema que escrevi após a leitura final.

Obrigado pelo teu livro e pela tua pronta resposta. Por aqui nada de novo, todo o barulho que por aqui se faz são fogueiras de palha. Um abraço amigo do

Egito Gonçalves

Goy C / 1469
Porto, 7 de Novembro de 1962

Caro amigo,

Estimei saber que já vais melhor de saúde. Espero que isso continue, para bem da poesia espanhola.

Enviei, conforme me indicaste, um exemplar dos Treinta poemas ao Giacinto Spagnolleti. Espero que lhe agrade.25

Escrevo-te esta carta sobretudo para te perguntar como vai a tua tradução do Salvador Espriu La Pell de Brau.26

Estou a preparar alguns cadernos de traduções de poetas estrangeiros e, tal como combinemos ai, o livro do Espriu interessa-me. Quando puderes enviar-me a tua tradução, agradeço-te.

Aguardo as tuas notícias e, entretanto, envio-te um grande abraço de amizade e camaradagem,

Egito Gonçalves 

Goy C/ 1470
Porto, 21 de Novembro de 1962

Meu querido amigo

Recebi a tua carta, estimo saber que estás bem e passo a responder.

Sobre a antologia da Poesia espanhola, creio já ter dito que está prestes a sair. Já vi as provas, ainda antes de partir para férias. O volume está pronto e creio apenas que estão a demorá-lo para aproximar do Natal o seu lançamento.27 Trata-se de um editor que lança sempre perto do Natal cerca de trinta livros diversos. Irá para ti um exemplar logo que apareça.

Aceito esperar até Fevereiro pela Pele de toro. Só te agradeço que não te esqueças de me enviar um exemplar, porque aqui não chegam as edições do Ruedo Ibérico.

Quanto aos Cadernos de Tradução que estou a preparar, tu estarás incluído, como aliás outros amigos espanhóis. No entanto eu não posso garantir que os cadernos saiam. Até agora não arranjei editor. Preparo os seguintes cadernos: Ángel Crespo, André Frénaud, Nicolae Vaptzarov, Bertold Brecht, Rita Boumi Papa, Rodolfo Alonso, Jean Todrani, etc. Tu e Celaya estão no programa. Vamos ver.

Entretanto, fui convidado a ser correspondente no Norte, (o que equivale de certo modo a tomar um pouco as rédeas da organização) de um agrupamento em início, que pretende chamar-se qualquer coisa com Centro Ibérico de Cultura ou nome semelhante –agora não me recordo ao certo--. Terei uma entrevista com os organizadores portugueses nos princípios de Dezembro. Mas preciso de ter antes uma informação tua: estão metidos nisso uns catalães, Llorenç Vidal, Vega Jordan e creio que também o Cucurul.28 Necessito saber alguma coisa dos dois primeiros. Se são gente séria, se são anti-fascistas e as suas obras tem valor.

Podes informar-me disso?

Parabéns pelos livros teus que vão sair em Itália. Um poeta italiano, Gilberto Finzi, começará a traduzir-me no próximo ano. Vamos a ver se saio também eu por lá.

Um abraço amigo do

Egito Gonçalves


1 Agradezco a Asunción Carandell y a Júlia Goytisolo la generosidad y cordialidad por permitirme edit

2 El propio Gonçalves explicará este movimiento y la acerada crítica de José Agustín Goytisolo para el público portugués: «posição polémica e interessada, a da maioria da poesia espanhola do após-Guerra, após os primeiros tempos do evasionismo “garcilasista” –magistralmente caricaturado num poema de José Agustín Goytisolo, “Los Celestiales”--» «Prefácio» in Poesia espanhola do após-Guerra, Lisboa, Portugália Editora, 1961, p. 14.

3 El poeta bilbaíno residió en Barcelona entre 1956 y 1959.

4 Parece que el poema de José Agustín Goytisolo con el cual mantiene el diálogo sea «Yo invoco», pieza incorporada al poemario Claridad (1961) y que se inicia y acaba precisamente con la palabra Claridad. Como ya he señalado previamente, «Com José Agustín Goytisolo» fue incluido en Os arquivos do silêncio (1959-1961) (Lisboa, Portugália, 1963) y pertenece a la suite «Pequeno diálogo ibérico», homenaje de Egito Gonçalves a los siguientes escritores españoles: Jesús López Pacheco, Jaime Gil de Biedma, José Agustín Goytisolo, José Manuel Caballero Bonald, Alfonso Sastre, Claudio Rodríguez y Gabriel Celaya.

5 Luis Goytisolo fue detenido y encarcelado en Carabanchel entre febrero y mayo de 1960 por sus actividades antifranquistas y su militancia en el PSUC.

6 Vicente Gaos, Poesías completas: 1937-1957; con un prólogo de Dámaso Alonso y un encuentro de Vicente Aleixandre, Madrid, Ediciones Giner, 1959.

7 Se refiere a la polémica suscitada por dos diatribas anónimas publicadas en el rotativo madrileño contra la tendencia narrativa afrancesada, es decir, la mediada por el nouveau roman, practicada por la joven narrativa de entonces: «La moda francesa de la joven literatura española» (29/II/1960) y «Tergiversación» (15/III/1960). Entre los escritores señalados se encontraba Luis Goytisolo en aquel momento preso en Carabanchel. La inoportunidad tendenciosa de estos artículos fue denunciada por Juan Goytisolo y generó un carta pública al director de «Pueblo», secundada por un número importante de intelectuales españoles; «Declaración de solidaridad con Juan Goytisolo de los escritores españoles, dirigida al Director del diario madrileño “Pueblo”», Boletín de Información. Unión de Intelectuales Españoles, México, Junio-Julio, 1960, p. 2.

8 Debe ser: Líricas portuguesas. 3ª série, Lisboa, Portugália, 1958, antología y prólogo a cargo de Jorge de Sena, y no Antologia da novíssima poesia portuguesa, organizada por Maria Alberta Menéres e E.M. de Melo e Castro, Lisboa, Morais, 1959.

9 Debe tratarse de: Las afueras, Barcelona, Seix-Barral, 1958 y que obtuvo el Premio Biblioteca Breve.

10 El propio Egito Gonçalves explicó, en el primer párrafo del «Prefácio» de su Poesia espanhola…, el acicate que significó Ángel Crespo en el origen su antología: «[Crespo] visitava Portugal pela segunda vez [1959], e o tema de conversa era do desconhecimento mútuo e injusto que portugueses e espanhóis cultivavam, de um modo geral, reciprocamente. Estávamos de acordo em que algo era necessário fazer para lutar contra essa situação ilógica. Crespo lançava já as primeiras bases da sua Antología de la nueva poesía portuguesa. A ideia de uma antologia da poesia espanhola surgiu, pois, do modo mais natural» Egito Gonçalves, Poesia espanhola…, op. cit. p. 11.

11 Egito Gonçalves, Memória de setembro, Porto, Notícias do Bloqueio, 1960.

12 La importante vinculación de Gonçalves, comprometido a su vez en la renovación teatral portuguesa, con la obra de Alfonso Sastre perdurará en el tiempo. En 1975, en plena euforia revolucionaria, la RTP emitió La trampa, pieza del dramaturgo madrileño, en la versión de Egito Gonçalves.

13 Un fragmento del ensayo de Josep M. Castellet Veinte años de poesía española, (Barcelona, Seix Barral, 1960), servirá, en efecto, de prólogo para la antología de Gonçalves: «Vinte anos de poesia espanhola» in Egito Gonçalves, Poesia espanhola… op. cit., p. 17-53. Esta traducción portuguesa se suma a la francesa, referida por Gonçalves, aparecida en el mismo año en la revista belga Jalons (Num. spécial: Espagne 1961, janvier/février). Ciertamente, estas dos traducciones cifran el éxito de un trabajo eficiente de internacionalización de un relato historiográfico que ponderaba notoriamente la poesía social. Castellet, en aquel mismo año, publicaría el estudio: «La Poesía de José Agustín Goytisolo» en Papeles de Son Armadans, nº69 (1961), p. 302-335.

14 Juan Goytisolo publicó en Bandarra: «Problemas do romance» (1 y 2) y «A nova psicologia (ensaio sobre o romance)». Para una valoración de esta revista y su componente iberista, cf. Perfecto E. Cuadrado Fernández, «La revista Bandarra en el contexto de las relaciones culturales hispano-lusas» en Actas del Congreso Internacional de Historia y Cultura en la Frontera, Tomo I, Cáceres, Universidad de Extremadura, 2000, p. 543-563.

15 Goytisolo es el autor, juntamente con Xosé Lois García, de la primera traducción en formato de libro de Agostinho Neto, La lucha continua (Barcelona, Laia, 1980). Nos consta que Goytisolo llegó a conocer personalmente al poeta angoleño, pero no sabemos si fue por mediación de Gonçalves.

16 Debe ser el poemario Claridad que había obtenido en 1959 el premio Ausias March de Gandía y que fue publicado en 1961 por la Diputación Provincial de Valencia. Egito Gonçalves ya conocía previamente los poemas de este libro de Goytisolo como muestra su carta del 21/XI/1959.

17 José Luís Prado Nogueira, José Fernández-Arroyo y Manuel Pacheco fueron excluidos de la antología. Me inclino a pensar que el otro que quedó fuera de la selección y a quien se refiere Gonçalves fue Antonio Fernández Molina (y no Ricardo Molina), un autor que había publicado Una carta de barro en la revista Bandarra. Tanto Fernández-Arroyo como Fernández Molina eran personalidades vinculadas al entorno de Ángel Crespo.

18 Supongo que se refiere al poemario de Carlos Sahagún Profecías del agua (Madrid, Rialp, 1958) que fue Premio Adonáis en la edición de 1957, y al libro de la también valenciana Maria Beneyto, Poemas de la ciudad (Barcelona, Joaquín Horta, 1956), accésit del Premio Boscán de 1956.

19 A parte de la traducción del artículo para Bandarra, no conozco otra traducción de Gonçalves de Juan Goytisolo; sólo apuntar que fue Pedro da Silveira quien dio a conocer al público portugués dos piezas fundamentales del narrador barcelonés antes de la Revolución de los Claveles: Luto no paraiso, Lisboa, Portugália, 1964 y Reivindicação do Conde Julião, Lisboa, D. Quixote, 1972.

20 Se refiere a la colección «Poetas de Hoy» de La Isla de los Ratones de Santander. José Agustín Goytisolo participó activamente en este proyecto como traductor de Cesare Pavese, Veinte poemas (1962), de Salvatore Quasimodo, 25 Poemas (1963) y de Sergei Esenin, Poemas, juntamente con A. Manso Arguelles, (1967).

21 Se trata de la edición del poemario de Jesús López Pacheco, Pongo la mano sobre España, Roma, Edizioni Rapporti Europei, 1961, con una introducción de Giancarlo Vigorelli y la traducción de Arrigo Repetto, una de las más eficaces correas de transmisión en Italia de la literatura española de posguerra. Poco tiempo después Arrigo Repetto publicará Letteratura e società nel Portogallo di oggi: 1865-1964 e una antologia di autori portoghesi, Torino, Eri, 1965. En este ensayo se situaba Egito Gonçalves dentro de la segunda generación neorrealista portuguesa y se señalaba el parangón entre Notícias do Bloqueio y la poesía social española que: «auspicò ed espresse un genere di poesia “sociale” non molto dissimile da quella inaugurata in Spagna, pressappoco alla stessa epoca, o più “ufficialmente” a partire dalla Antología Consultada del 1952, da Gabriel Celaya, Blas de Otero, Ángela Figuera Aymerich, e da altri “giovani poeti” » ibidem., p. 140-141. Repetto ya desarrollaba en dicho ensayo una “novissima poesia” que daba el relevo a la generación de Egito Gonçalves; entre los nombres que destaca, sobresalía precisamente el de Daniel Filipe y A invenção do Amor (Lisboa, Sagitário, 1961).

22 El poeta Joaquim Horta era editor de la colección «Fe de vida. Poesía y ensayo», así como de «Signe», consagrada a poetas catalanes. El interés de Egito Gonçalves por la poesía catalana persistirá en el tiempo. En su madurez, por ejemplo, se hará cargo de la traducción de la antología Quinze poetas catalães, selecção de Àlex Broch e Isidor Cònsul, Porto, Limiar, 1994 y del poemario de Àlex Susanna, Os anéis do tempo, Porto, Limiar, 1995

23 José dos Santos Marques publicó, en efecto, la serie Panorâmica Poética luso-hispánica. Colecção antológica de poetas de língua portuguesa e espanhola entre 1961 y 1967, en Lisboa. Entre las entregas, figura la traducción de Juan Cervera Sanchis, poeta que a su vez había publicado en España el volumen: El muchacho que veía venir a la muerte (1960).

24 Debe ser: José Agustín Goytisolo, Años decisivos : poesía 1954-1960, Barcelona: Literaturasa, 1961. Se trata de una edición revisada de sus tres libros publicados anteriormente : El retorno, Salmos al viento y Claridad.

25 Giacinto Spagnoletti era a la sazón el director general de la editorial Guanda. Fue por su encomio que José Agustín Goytisolo publicó en dicha editorial Prediche al vento e altre poesie (1962) en la traducción de Adele Faccio.

26 José Agustín Goytisolo fue el traductor al español de La pell de brau en una edición de Ruedo Ibérico (Paris, 1963), con cubierta de Antoni Tàpies. La traducción al portugués del poemario de Salvador Espriu aparecerá en un contexto histórico extremadamente sensible de la mano de Manuel de Seabra, el mediador de referencia entre la cultura portuguesa y la catalana; Salvador Espriu, A pele de touro (Lisboa, Dom Quixote, 1974). Sobre los avatares de dicha traducción, cf. Víctor Martínez-Gil, «Cartes de Salvador Espriu a Vimala Devi i a Manuel de Seabra» Els Marges, 76 (2005) p. 79-105.

27 Finalmente, los poetas incluidos en la antología fueron, y por el siguiente orden: Gabriel Celaya, Blas de Otero, Leopoldo de Luis, Vicente Gaos, Victoriano Crémer, Carlos Bousoño, Eugenio de Nora, Gabino-Alejandro Carriedo, José Hierro, José María Valverde, Ángela Figuera Aymerich, José Manuel Caballero Bonald, Manuel Pinillos, Miguel Labordeta, Julián Andúgar, Ramón de Garciasol, Ángel Crespo, Gloria Fuertes, Carlos Barral, Jesús López Pacheco, Ángel González, Claudio Rodrígez, José Agustín Goytisolo, José Ángel Valente y Jaime Gil de Biedma.

28 El poeta y activista pacifista mallorquín Llorenç Vidal i Vidal estaba en aquel momento al frente de los cuadernos literarios Ponent que, en su primera etapa (1956-1974), de setenta y dos números, publicaron diversas traducciones de autores de lengua portuguesa. Fue en su seno que se editaron las separatas poéticas La Font de les Tortugues, cuyo número 16 fue dedicada a Poetes portuguesos d’ara (Palma de Mallorca, 1961). La selección de esta antología poética fue a cargo de Manuel de Seabra y, la traducción, de Fèlix Cucurull. Se incluyeron los siguientes poetas: José Gomes Ferreira, Domingos Monteiro, Natércia Freira y Carlos de Oliveira. Cucurull dispone de una dilatadísima relación con Portugal y, suponemos, que en buena medida intervino en la mediación entre Llorenç Vidal y Egito Gonçalves. Llorenç Vidal incorporó al equipo de Ponent al médico hondureño Rolando A. Vega Jordán quien publicó obra propia para este proyecto editorial y también traducciones de lírica precolombina.